Trabalhos de investigação
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Filosofia Medieval
Trabalhos de investigação
Elementos para a orientação da pesquisa
Índice
1. Introdução
2. Realização dos trabalhos de investigação
3. Apresentação e discussão dos trabalhos
4. Bibliografia
1. Introdução
De acordo com as Normas de avaliação da FLUP (art. 3 §1, art. 8 §1-2, art. 16, §1-3), os(as) alunos(as) poderão realizar trabalhos de investigação, integrados no plano de avaliação da cadeira.
Finalidade dos trabalhos de investigação
Os trabalhos de investigação destinam-se aos fins referidos nas Normas: integrar a avaliação contínua, ou substituir uma prova da avaliação periódica, ou complementar outros elementos de avaliação. A sua realização é voluntária e depende, pois, de uma opção do(a) aluno(a).
O que é um trabalho de investigação
O trabalho de investigação constitui um aprofundamento prático, técnico e teórico, de algum aspecto ou tema do programa da cadeira, ou que a ele diga respeito. A sua realização pressupõe um trabalho de pesquisa e uma exposição pessoais, mesmo quando realizado em grupo. Será apresentado sob a forma escrita, embora se possa admitir, acessoriamente, o recurso a meios gráficos e audiovisuais.
Objectivos
Os trabalhos de investigação têm um objectivo simultaneamente formativo e filosófico. A filosofia é uma forma de expressão de pensamento, por isso, pretende-se com eles desenvolver capacidades de trabalho prático (leitura, consulta, compilação, pesquisa, fichagem, etc.), de trabalho técnico (análise, conceptualização, síntese, redacção, etc.) e de trabalho teórico (reflexão, questionamento, fundamentação, eventualmente uma abordagem crítica, inovadora e pessoal dos problemas).
A investigação : trabalho pessoal problematizador
Estes trabalhos revestirão preferencialmente a forma de uma (curta) dissertação escrita, ou ensaio. Deverão assentar num trabalho pessoal de investigação e de reflexão e deverão, por isso, contribuir para a aquisição de conhecimentos filosóficos específicos, mas também para a constituição de uma atitude questionadora e de afirmação de posições fundamentadas.
Como primeira regra de elaboração, deve ter-se presente que qualquer trabalho de investigação é antes de tudo um compromisso de honestidade intelectual do seu autor.
Extensão e tipos de trabalho de investigação
A sua extensão poderá ser variável, a definir consoante o tema escolhido e a sua finalidade. De preferência, as dissertações ou ensaios deveriam versar o estudo de um tema filosófico em um autor (ou em uma obra de um autor), ou a comparação de dois autores a propósito de um tema específico. Poderão ser também, a título de exemplo, ensaios de aplicação ou investigação sobre os mais variados problemas filosóficos (metafísica, gnosiologia, estética, epistemologia, cosmologia, ética, teologia, etc.) ao longo da Idade média. (Ver aqui outros exemplos de trabalhos possíveis).
Para além da dissertação, os trabalhos poderão assumir também outras formas escritas:
- bibliografia comentada
- colectânea de textos temáticos
- ensaio
- ficheiro de conceitos
- tradução anotada de texto(s) filosófico(s)
- análise e resumo de uma obra
- recensão crítica
É também admissível que uma mesma investigação combine ou recorra a várias destas formas de trabalho.
Acompanhamento dos trabalhosDe modo a potenciar o aspecto investigacional, os trabalhos serão acompanhados pelo docente, durante o horário de atendimento, ou sempre que, mutuamente, tal se justifique. 5
2. Concretização dos trabalhos de investigação
2.1. O/A aluno(a) que pretenda realizar um trabalho de investigação deverá apresentar ao docente um plano de trabalho onde conste:
a) título
b) identificação da questão principal a estudar (autor, obra, problema, conceito, etc.)
c) tema do trabalho (curta descrição do conteúdo previsto e da área temática)
d) previsão sobre a dimensão e datas de entrega
e) curta bibliografia de referência.
2.2. O plano é apenas um instrumento de trabalho e poderá ser alterado no decurso da investigação. Visa, antes de mais, delimitar o tema e orientar a organização dos materiais para a redacção final.
2.3. Este plano de trabalho deve ser entregue até à primeira semana de Janeiro de 1998.
2.4. O plano de trabalho será individualmente discutido, com o objectivo de delinear e orientar os seus aspectos de investigação.
2.5. O(a) aluno(a) deverá dar conhecimento ao docente, pelo menos em dois momentos diferentes, da progressão da sua investigação. Estes contactos de trabalho também poderão ser tidos em conta na avaliação final do trabalho.
2.6. Não há um método de investigação filosófica, para além do que cada um pode ou consegue fazer com a leitura, o estudo e a reflexão sobre os textos, os problemas, as realidades, os factos. Contudo, a pesquisa filosófica pode e deve ser aperfeiçoada. A consulta de alguma(s) obra(s) sobre metodologia da pesquisa (ver § 1 da Bibliografia) poderá ser de grande utilidade inicial.
2.7. Sem aniquilar a criatividade literária e formal dos respectivos autores, cada trabalho deverá ter pelo menos as seguintes partes (ou pelo menos o conteúdo que lhes corresponde):
a) Título
b) Introdução : como a sua função é essencialmente metodológica, deverá conter
– a indicação do tema do trabalho
– formulação dos problemas filosóficos a estudar
– descrição das partes do trabalho
– breve antecipação das principais conclusões
A Introdução é uma parte fulcral em qualquer trabalho de investigação. Apesar de ser o texto que o abre é, geralmente, o último a ser redigido/ultimado. Desde logo serve para dar razão e realçar a importância do tema escolhido. Indicar a metodologia de trabalho usada também poderá ser útil para o leitor. Uma boa intrtodução mostra desde logo o perfeito domínio sobre os os problemas e a forma de os tratar. Contudo, a introdução não é apenas uma peça retórica. Ao proporcionar uma ocasião para o autor olhar para o seu próprio trabalho obriga a uma maior atenção metodológica, função que a introdução desempenhará melor se não for deixada para o fim, mas se for sendo escrita e revista ao longo do trabalho de investigação. Nesse caso poderá até ser um bom instrumento de auto-controle.
c) Desenvolvimento : deverá ter um organização clara, em capítulos, parágrafos, etc.
– o tema deverá ser subdividido ou, pelo menos, a sua exposição deve obedecer a uma progressão coerente,
– o corpo central do trabalho de investigação caracteriza-se por oferecer uma exposição fundamentad(or)a, em sequência progressiva, do tema que se pretende expor ou da tese a defender,
– cada capítulo ou parágrafo deverá ser convenientemente enunciado no seu início,
– a citação de autores ou do texto estudado é um elemento fulcral da narração académica. Deverá ser evitado o uso de textos em seguda mão. As citações e referências bibliográficas completas são indispensável para a fundamentação de um trabalho e são, desde logo, um testemunho da honestidade intelectual do autor.Por isso convém dominar com rigor os modos de citação de fontes e de literatura secundária. Este aspecto tem uma relação directa com a bibliografia final (ver a alínea e).
d) Conclusão
– sucinta descrição das principais aquisições (pode ser recapitulativa ou de resposta às questões suscitadas a longo do trabalho),
– apreciação crítico-filosófica sobre o tema/autor/assunto estudados,
– balanço da investigação realizada,
– aí podem ser também indicados alguns campos pelos quais a investigação se deveria prolongar.
e) Bibliografia
– deverá incluir separadamente: a) fontes; b) bibliografia utilizada; c) outra bibliografia.
– aí devem ser dadas indicações precisas sobre todas as obras consultadas, mesmo que não tenham sido citadas. Quando se incluem obras que não puderam ser usadas convém explicitá-lo, colocando-as, por exemplo, num parágrafo à parte (como "outra bibliografia"), pois o leitor ao encontrar uma obra referida na bibliografia pressupõe que o autor do trabalho a usou.
f) Índice(s)
2.8. Também na sua apresentação gráfica o trabalho deverá ser claro e organizado. Uma das formas de o conseguir é usar de modo homogéneo e ao longo do trabalho os mesmos critérios de disposição de títulos, texto, notas, etc. Embora isto também seja algo que se adquire e se aperfeiçoa com o tempo, existem hoje diversas obras com normas ou modelos sobre dactilografia-paginação, organização de texto e das notas, citação de autores, bibliografia, elaboração de índices, etc. Na Bibliografia infra (§2) indicam-se algumas dessas obras, mas, o importante é optar por qualquer uma delas e depois adquirir hábitos de trabalho seguindo as suas propostas.2.9. A data de entrega dos trabalhos de investigação termina três semans antes do final do 2º semestre. 5
3. Apresentação e discussão dos trabalhos de investigação
3.1. Os trabalhos (bem como o seu processo e curso de realização) serão objecto de avaliação e a respectiva nota integrada na modalidade de avaliação pela qual o aluno optou.
3.2. Será avaliado: o trabalho de investigação realizado, a maneira de tratar o problema proposto para estudo, o texto final, a própria discussão.
3.3. Cada trabalho será objecto de discussão entre autor(a) e docente.
3.4. Sempre que se trate de trabalhos de grupo, cada membro do grupo discutirá a parte que lhe cabe
3.5. Da discussão dos trabalhos pode resultar a necessidade de rever alguns dos seus aspectos.
3.6. Os trabalhos poderão ser objecto de apresentação em aulas práticas. 5
4. Bibliografia
4.1. O trabalho de pesquisa em FilosofiaBoillot, Hervé: 50 modèles de dissertations philosophiques (Marabout savoirs, Aide scolaire), Marabout éd., Paris 1994.
Cossutta, F.: Elementos para a leitura dos textos filosóficos, Ed. Martins Fontes, São Paulo 1994.
Folscheid, Dominique _ Wunenburger, Jean-Jacques: Méthodologie philosophique (Coll. Premier Cycle), PUF, Paris 1992.
Russ, Jacqueline: Les méthodes en philosophie (coll. Cursus), Armand Colin Éd., Paris 1992.
4.2. Metodologia da pesquisa, da elaboração e da apresentação dos trabalhos
Beaud, Michel: L_art de la thèse (Guides Repères) Ed. La Découverte, Paris 1994.Both, W.C _ Colomb, G.G. _ Williams, J.M, The Craft of Research, The University of Chicago Press, Chicago-London 1996 [Bibl. FLUP: 001B715c].
Ceia, Carlos: Normas para a apresentação de trabalhos científicos (Ensinar e aprender 2) Ed. Presença, Lisboa 1995.
Eco, Umberto: Como se faz uma tese em Ciências Humanas, pref. H. da Costa, trad. A.F. Bastos e L. Leitão (Textos Universitários 41) Ed. Presença, Lisboa 1994 (6ª ed.)
Fragata, Júlio: Noções de metodologia para a elaboração de um trabalho científico (Meridiano universitário 3), Livraria Tavares Martins, Porto 1980 (3ª ed.).
Torres, Adelino: O método no estudo, A Regra do Jogo Ed., Lisboa 1984 (2ª ed.).
Weston, Anthony, A Arte de Argumentar, Tradução de Desidério Murcho, Revisão Científica de João Branquinho, Gradiva, Lisboa 1996.
4.3. Metodologia do trabalho filosófico na teia internética (alguns exemplos e conselhos úteis)
James Pryor : Como se escreve um ensaio de Filosofia.
A. P. Martinich : A estrutura de um ensaio filosófico
Méthodologie de la dissertation.
"O marketing é mais velho que o pecado original"