Madalena Magalhães

October 31, 2006

Trabalhos de investigação

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Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Filosofia Medieval
 
 

José Francisco Meirinhos
Trabalhos de investigação
Elementos para a orientação da pesquisa
Índice
 1. Introdução
 2. Realização dos trabalhos de investigação
 3. Apresentação e discussão dos trabalhos
 4. Bibliografia
 
1. Introdução
De acordo com as Normas de avaliação da FLUP (art. 3 §1, art. 8 §1-2, art. 16, §1-3), os(as) alunos(as) poderão realizar trabalhos de investigação, integrados no plano de avaliação da cadeira.
Finalidade dos trabalhos de investigação
Os trabalhos de investigação destinam-se aos fins referidos nas Normas: integrar a avaliação contínua, ou substituir uma prova da avaliação periódica, ou complementar outros elementos de avaliação. A sua realização é voluntária e depende, pois, de uma opção do(a) aluno(a).
O que é um trabalho de investigação
O trabalho de investigação constitui um aprofundamento prático, técnico e teórico, de algum aspecto ou tema do programa da cadeira, ou que a ele diga respeito. A sua realização pressupõe um trabalho de pesquisa e uma exposição pessoais, mesmo quando realizado em grupo. Será apresentado sob a forma escrita, embora se possa admitir, acessoriamente, o recurso a meios gráficos e audiovisuais.
Objectivos
Os trabalhos de investigação têm um objectivo simultaneamente formativo e filosófico. A filosofia é uma forma de expressão de pensamento, por isso, pretende-se com eles desenvolver capacidades de trabalho prático (leitura, consulta, compilação, pesquisa, fichagem, etc.), de trabalho técnico (análise, conceptualização, síntese, redacção, etc.) e de trabalho teórico (reflexão, questionamento, fundamentação, eventualmente uma abordagem crítica, inovadora e pessoal dos problemas).
A investigação : trabalho pessoal problematizador
Estes trabalhos revestirão preferencialmente a forma de uma (curta) dissertação escrita, ou ensaio. Deverão assentar num trabalho pessoal de investigação e de reflexão e deverão, por isso, contribuir para a aquisição de conhecimentos filosóficos específicos, mas também para a constituição de uma atitude questionadora e de afirmação de posições fundamentadas.
Como primeira regra de elaboração, deve ter-se presente que qualquer trabalho de investigação é antes de tudo um compromisso de honestidade intelectual do seu autor.
Extensão e tipos de trabalho de investigação
A sua extensão poderá ser variável, a definir consoante o tema escolhido e a sua finalidade. De preferência, as dissertações ou ensaios deveriam versar o estudo de um tema filosófico em um autor (ou em uma obra de um autor), ou a comparação de dois autores a propósito de um tema específico. Poderão ser também, a título de exemplo, ensaios de aplicação ou investigação sobre os mais variados problemas filosóficos (metafísica, gnosiologia, estética, epistemologia, cosmologia, ética, teologia, etc.) ao longo da Idade média. (Ver aqui outros exemplos de trabalhos possíveis).
Para além da dissertação, os trabalhos poderão assumir também outras formas escritas:

- bibliografia comentada
- colectânea de textos temáticos
- ensaio
- ficheiro de conceitos
- tradução anotada de texto(s) filosófico(s)
- análise e resumo de uma obra
- recensão crítica

É também admissível que uma mesma investigação combine ou recorra a várias destas formas de trabalho.

Acompanhamento dos trabalhos
De modo a potenciar o aspecto investigacional, os trabalhos serão acompanhados pelo docente, durante o horário de atendimento, ou sempre que, mutuamente, tal se justifique. 5
2. Concretização dos trabalhos de investigação

2.1. O/A aluno(a) que pretenda realizar um trabalho de investigação deverá apresentar ao docente um plano de trabalho onde conste:
 

a) título
b) identificação da questão principal a estudar (autor, obra, problema, conceito, etc.)
c) tema do trabalho (curta descrição do conteúdo previsto e da área temática)
d) previsão sobre a dimensão e datas de entrega
e) curta bibliografia de referência.


2.2. O plano é apenas um instrumento de trabalho e poderá ser alterado no decurso da investigação. Visa, antes de mais, delimitar o tema e orientar a organização dos materiais para a redacção final.
2.3. Este plano de trabalho deve ser entregue até à primeira semana de Janeiro de 1998.
2.4. O plano de trabalho será individualmente discutido, com o objectivo de delinear e orientar os seus aspectos de investigação.
2.5. O(a) aluno(a) deverá dar conhecimento ao docente, pelo menos em dois momentos diferentes, da progressão da sua investigação. Estes contactos de trabalho também poderão ser tidos em conta na avaliação final do trabalho.
2.6. Não há um método de investigação filosófica, para além do que cada um pode ou consegue fazer com a leitura, o estudo e a reflexão sobre os textos, os problemas, as realidades, os factos. Contudo, a pesquisa filosófica pode e deve ser aperfeiçoada. A consulta de alguma(s) obra(s) sobre metodologia da pesquisa (ver § 1 da Bibliografia) poderá ser de grande utilidade inicial.
2.7. Sem aniquilar a criatividade literária e formal dos respectivos autores, cada trabalho deverá ter pelo menos as seguintes partes (ou pelo menos o conteúdo que lhes corresponde):
a) Título
b) Introdução : como a sua função é essencialmente metodológica, deverá conter

– a indicação do tema do trabalho
– formulação dos problemas filosóficos a estudar
– descrição das partes do trabalho
– breve antecipação das principais conclusões

A Introdução é uma parte fulcral em qualquer trabalho de investigação. Apesar de ser o texto que o abre é, geralmente, o último a ser redigido/ultimado. Desde logo serve para dar razão e realçar a importância do tema escolhido. Indicar a metodologia de trabalho usada também poderá ser útil para o leitor. Uma boa intrtodução mostra desde logo o perfeito domínio sobre os os problemas e a forma de os tratar. Contudo, a introdução não é apenas uma peça retórica. Ao proporcionar uma ocasião para o autor olhar para o seu próprio trabalho obriga a uma maior atenção metodológica, função que a introdução desempenhará melor se não for deixada para o fim, mas se for sendo escrita e revista ao longo do trabalho de investigação. Nesse caso poderá até ser um bom instrumento de auto-controle.

c) Desenvolvimento : deverá ter um organização clara, em capítulos, parágrafos, etc.

– o tema deverá ser subdividido ou, pelo menos, a sua exposição deve obedecer a uma progressão coerente,
– o corpo central do trabalho de investigação caracteriza-se por oferecer uma exposição fundamentad(or)a, em sequência progressiva, do tema que se pretende expor ou da tese a defender,
– cada capítulo ou parágrafo deverá ser convenientemente enunciado no seu início,
– a citação de autores ou do texto estudado é um elemento fulcral da narração académica. Deverá ser evitado o uso de textos em seguda mão. As citações e referências bibliográficas completas são indispensável para a fundamentação de um trabalho e são, desde logo, um testemunho da honestidade intelectual do autor.Por isso convém dominar com rigor os modos de citação de fontes e de literatura secundária. Este aspecto tem uma relação directa com a bibliografia final (ver a alínea e).

d) Conclusão

– sucinta descrição das principais aquisições (pode ser recapitulativa ou de resposta às questões suscitadas a longo do trabalho),
– apreciação crítico-filosófica sobre o tema/autor/assunto estudados,
– balanço da investigação realizada,
– aí podem ser também indicados alguns campos pelos quais a investigação se deveria prolongar.

Muitas obras não possuem conclusão, nem isso é necessário. A conclusão é sobretudo requerida quando a investigação seguiu múltiplas pistas (tratando problemas diferentes ou parcelares em cada parte) que é preciso reunir e realçar. A conclusão é supérflua, por exemplo, nos casos em que a introdução já é por si explicitadora e em que as aquisições da investigação foram sendo evidenciadas de modo a que o leitor se aperceba que são o resultado da própria investigação.

e) Bibliografia

– deverá incluir separadamente: a) fontes; b) bibliografia utilizada; c) outra bibliografia.
– aí devem ser dadas indicações precisas sobre todas as obras consultadas, mesmo que não tenham sido citadas. Quando se incluem obras que não puderam ser usadas convém explicitá-lo, colocando-as, por exemplo, num parágrafo à parte (como "outra bibliografia"), pois o leitor ao encontrar uma obra referida na bibliografia pressupõe que o autor do trabalho a usou.

Existem normas precisas para a elaboração de bibliografias. É relativamente secundário o modelo de bibliografia usado, mas é indispensável que a Bibliografia seja: 1) coerente com o modo de citação usado ao longo do trabalho; 2) rigorosa quanto aos materiais efectivamente citados e usados; 3) sistemática, dando todas as referências de cada obra e de todas as obras. Um modelo de bibliografia poderá ser consultado no final deste trabalho.

f) Índice(s)

2.8. Também na sua apresentação gráfica o trabalho deverá ser claro e organizado. Uma das formas de o conseguir é usar de modo homogéneo e ao longo do trabalho os mesmos critérios de disposição de títulos, texto, notas, etc. Embora isto também seja algo que se adquire e se aperfeiçoa com o tempo, existem hoje diversas obras com normas ou modelos sobre dactilografia-paginação, organização de texto e das notas, citação de autores, bibliografia, elaboração de índices, etc. Na Bibliografia infra (§2) indicam-se algumas dessas obras, mas, o importante é optar por qualquer uma delas e depois adquirir hábitos de trabalho seguindo as suas propostas.
2.9. A data de entrega dos trabalhos de investigação termina três semans antes do final do 2º semestre.  5

3. Apresentação e discussão dos trabalhos de investigação

3.1. Os trabalhos (bem como o seu processo e curso de realização) serão objecto de avaliação e a respectiva nota integrada na modalidade de avaliação pela qual o aluno optou.
3.2. Será avaliado: o trabalho de investigação realizado, a maneira de tratar o problema proposto para estudo, o texto final, a própria discussão.
3.3. Cada trabalho será objecto de discussão entre autor(a) e docente.
3.4. Sempre que se trate de trabalhos de grupo, cada membro do grupo discutirá a parte que lhe cabe
3.5. Da discussão dos trabalhos pode resultar a necessidade de rever alguns dos seus aspectos.
3.6. Os trabalhos poderão ser objecto de apresentação em aulas práticas.  5

 

4. Bibliografia

4.1. O trabalho de pesquisa em Filosofia

Boillot, Hervé: 50 modèles de dissertations philosophiques (Marabout savoirs, Aide scolaire), Marabout éd., Paris 1994.
Cossutta, F.: Elementos para a leitura dos textos filosóficos, Ed. Martins Fontes, São Paulo 1994.
Folscheid, Dominique _ Wunenburger, Jean-Jacques: Méthodologie philosophique (Coll. Premier Cycle), PUF, Paris 1992.
Russ, Jacqueline: Les méthodes en philosophie (coll. Cursus), Armand Colin Éd., Paris 1992.

4.2. Metodologia da pesquisa, da elaboração e da apresentação dos trabalhos

Beaud, Michel: L_art de la thèse (Guides Repères) Ed. La Découverte, Paris 1994.
Both, W.C _ Colomb, G.G. _ Williams, J.M, The Craft of Research, The University of Chicago Press, Chicago-London 1996 [Bibl. FLUP: 001B715c].
Ceia, Carlos: Normas para a apresentação de trabalhos científicos (Ensinar e aprender 2) Ed. Presença, Lisboa 1995.
Eco, Umberto: Como se faz uma tese em Ciências Humanas, pref. H. da Costa, trad. A.F. Bastos e L. Leitão (Textos Universitários 41) Ed. Presença, Lisboa 1994 (6ª ed.)
Fragata, Júlio: Noções de metodologia para a elaboração de um trabalho científico (Meridiano universitário 3), Livraria Tavares Martins, Porto 1980 (3ª ed.).
Torres, Adelino: O método no estudo, A Regra do Jogo Ed., Lisboa 1984 (2ª ed.).
Weston, Anthony, A Arte de Argumentar, Tradução de Desidério Murcho, Revisão Científica de João Branquinho, Gradiva, Lisboa 1996.

4.3. Metodologia do trabalho filosófico na teia internética (alguns exemplos e conselhos úteis)

James Pryor : Como se escreve um ensaio de Filosofia.

A. P. Martinich : A estrutura de um ensaio filosófico
Méthodologie de la dissertation.

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Diário de Notícias - 28 de Maio

O que o País mais precisa

João César das Neves

 Qual é a coisa de que Portugal mais necessita, neste momento?

É sobre este tema desafiante que versa o recente relatório da Fundação Richard Zwentzerg sobre Portugal. Esta fundação internacional, dedicada aos estudos lusitanos, tem procurado investigar os aspectos mais profundos da nossa sociedade. Desta vez, ocupou-se de um assunto de grande actualidade e influência. (De referir, para evitar confusões verificadas no passado, que, como sempre, os relatórios da fundação não são publicados nem podem ser adquiridos, de forma nenhuma; a única maneira de lhes ter acesso é por meio destas notícias no DN.). Ao procurar identificar o elemento que mais falta faz a Portugal agora, a Fundação Zwentzerg considerou vários factores. Investimentos, aumentos de produtividade, infra-estruturas, educação, competência profissional, liderança política, identidade nacional estiveram na lista final de candidatos a factor decisivo do nosso momento presente. Mas, depois de longos estudos e consideração ponderada por múltiplos especialistas, foi decidido que aquilo de que Portugal mais necessita é de uma outra coisa. Vergonha. O relatório afirma que a nossa sociedade, educação, economia e política estão a passar por um momento de intensa pouca-vergonha. O desplante, a desfaçatez, o descaramento e a petulância estão a atingir níveis incríveis na situação portuguesa. Ora, tratando-se de um elemento básico da vida e natureza humanas, a falta de vergonha tem gravíssimas consequências, em todos os níveis nacionais. A vergonha é o tributo que a maldade presta ao Bem. Na ausência de vergonha, o erro e a malícia campeiam infrenes. Para demonstrar esta sua análise da situação actual, o relatório cita vários factos, de múltiplos sectores. A infâmia do que se quer ensinar na “educação sexual escolar” das crianças, a vasta pornografia e devassa da vida privada nos programas de televisão, o endividamento fulgurante da sociedade e do Estado, a clara hipocrisia e falta de critério em muita da informação jornalística e o laxismo das novas leis aprovadas em múltiplos domínios. O texto afirma mesmo que alguns dos diplomas legais recentes são muito mais degradantes do que a publicidade. Também é referido o despudor dos grupos de pressão, políticos e dirigentes desportivos, admitindo a sua própria incompetência e corrupção sem qualquer constrangimento, e o descaramento de analistas e comentadores, defendendo posições aberrantes como se fossem naturais. O texto afirma mesmo que algum do comentário cultural é muito mais pornográfico que os concursos televisivos. Mas o pior, segundo o volume, é o clima moral que se vive. Em Portugal, neste momento, as pessoas têm vergonha de ter vergonha. A atitude considerada normal é a de não se espantar com nada, para não parecer antiquado, retrógrado e conservador. Toda a gente se precipita apressadamente, para se mostrar sem tabus ou preconceitos, livre de princípios éticos e critérios morais. Mas, ao mesmo tempo, sente-se por todo o lado uma sensação de desconforto e desconfiança da situação. Realmente, a vergonha faz muita falta. Para haver vergonha numa sociedade, são precisas duas coisas: primeiro, uma opinião pública com critérios claros e bem definidos; depois, um respeito geral pela opinião dos outros, seguindo, assim, esses critérios. Em Portugal, neste momento, o segundo elemento existe em excesso, pois toda a gente tem em grande conta a sua imagem perante os demais. O que falta são princípios éticos e critérios morais sólidos, que as pessoas sigam. O resultado é a desorientação ética, abrindo caminho ao abuso sem vergonha. A causa desta situação é traçada de forma bem vincada, no texto da fundação. Segundo ele, a pouca-vergonha vem de um facto muito simples: o novo-riquismo. Portugal acabou de chegar a um nível elevado de prosperidade e satisfação e está fascinado com isso. O clima de facilidade ingénua e de deslumbramento saloio é o que domina a atitude nacional. Os portugueses abriram-se com fervor às maravilhas da vida abastada. Naturalmente, nos momentos iniciais, tudo parece fácil, acessível e aceitável. Pode parecer ridículo, mas os portugueses acham mesmo que, sendo membros da União Monetária na era da globalização, um país moderno e desenvolvido, lhes é permitido, sem consequências, cair na promiscuidade, nos excessos de consumo e no capricho governativo, esquecendo os princípios familiares, a prudência económica, as regras orçamentais, a dignidade humana, profissional e ideológica. Em breve, o País acordará do seu delírio, que já dura há uns anos e está a atingir níveis de paroxismo. Nessa altura, notará a falta que a vergonha faz. Felizmente, conclui o relatório, ainda existem forças que se preocupam com o desenvolvimento nacional e com a integração do País no concerto das nações civilizadas. Para elas, o lema inspirador, agora, tem de ser “ao menos, haja vergonha”! O professor universitário João César das Neves assina esta coluna à segunda-feira [anterior]

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Diário de Notícias - 28 de Maio

O que o País mais precisa

João César das Neves

 Qual é a coisa de que Portugal mais necessita, neste momento?

É sobre este tema desafiante que versa o recente relatório da Fundação Richard Zwentzerg sobre Portugal. Esta fundação internacional, dedicada aos estudos lusitanos, tem procurado investigar os aspectos mais profundos da nossa sociedade. Desta vez, ocupou-se de um assunto de grande actualidade e influência. (De referir, para evitar confusões verificadas no passado, que, como sempre, os relatórios da fundação não são publicados nem podem ser adquiridos, de forma nenhuma; a única maneira de lhes ter acesso é por meio destas notícias no DN.). Ao procurar identificar o elemento que mais falta faz a Portugal agora, a Fundação Zwentzerg considerou vários factores. Investimentos, aumentos de produtividade, infra-estruturas, educação, competência profissional, liderança política, identidade nacional estiveram na lista final de candidatos a factor decisivo do nosso momento presente. Mas, depois de longos estudos e consideração ponderada por múltiplos especialistas, foi decidido que aquilo de que Portugal mais necessita é de uma outra coisa. Vergonha. O relatório afirma que a nossa sociedade, educação, economia e política estão a passar por um momento de intensa pouca-vergonha. O desplante, a desfaçatez, o descaramento e a petulância estão a atingir níveis incríveis na situação portuguesa. Ora, tratando-se de um elemento básico da vida e natureza humanas, a falta de vergonha tem gravíssimas consequências, em todos os níveis nacionais. A vergonha é o tributo que a maldade presta ao Bem. Na ausência de vergonha, o erro e a malícia campeiam infrenes. Para demonstrar esta sua análise da situação actual, o relatório cita vários factos, de múltiplos sectores. A infâmia do que se quer ensinar na “educação sexual escolar” das crianças, a vasta pornografia e devassa da vida privada nos programas de televisão, o endividamento fulgurante da sociedade e do Estado, a clara hipocrisia e falta de critério em muita da informação jornalística e o laxismo das novas leis aprovadas em múltiplos domínios. O texto afirma mesmo que alguns dos diplomas legais recentes são muito mais degradantes do que a publicidade. Também é referido o despudor dos grupos de pressão, políticos e dirigentes desportivos, admitindo a sua própria incompetência e corrupção sem qualquer constrangimento, e o descaramento de analistas e comentadores, defendendo posições aberrantes como se fossem naturais. O texto afirma mesmo que algum do comentário cultural é muito mais pornográfico que os concursos televisivos. Mas o pior, segundo o volume, é o clima moral que se vive. Em Portugal, neste momento, as pessoas têm vergonha de ter vergonha. A atitude considerada normal é a de não se espantar com nada, para não parecer antiquado, retrógrado e conservador. Toda a gente se precipita apressadamente, para se mostrar sem tabus ou preconceitos, livre de princípios éticos e critérios morais. Mas, ao mesmo tempo, sente-se por todo o lado uma sensação de desconforto e desconfiança da situação. Realmente, a vergonha faz muita falta. Para haver vergonha numa sociedade, são precisas duas coisas: primeiro, uma opinião pública com critérios claros e bem definidos; depois, um respeito geral pela opinião dos outros, seguindo, assim, esses critérios. Em Portugal, neste momento, o segundo elemento existe em excesso, pois toda a gente tem em grande conta a sua imagem perante os demais. O que falta são princípios éticos e critérios morais sólidos, que as pessoas sigam. O resultado é a desorientação ética, abrindo caminho ao abuso sem vergonha. A causa desta situação é traçada de forma bem vincada, no texto da fundação. Segundo ele, a pouca-vergonha vem de um facto muito simples: o novo-riquismo. Portugal acabou de chegar a um nível elevado de prosperidade e satisfação e está fascinado com isso. O clima de facilidade ingénua e de deslumbramento saloio é o que domina a atitude nacional. Os portugueses abriram-se com fervor às maravilhas da vida abastada. Naturalmente, nos momentos iniciais, tudo parece fácil, acessível e aceitável. Pode parecer ridículo, mas os portugueses acham mesmo que, sendo membros da União Monetária na era da globalização, um país moderno e desenvolvido, lhes é permitido, sem consequências, cair na promiscuidade, nos excessos de consumo e no capricho governativo, esquecendo os princípios familiares, a prudência económica, as regras orçamentais, a dignidade humana, profissional e ideológica. Em breve, o País acordará do seu delírio, que já dura há uns anos e está a atingir níveis de paroxismo. Nessa altura, notará a falta que a vergonha faz. Felizmente, conclui o relatório, ainda existem forças que se preocupam com o desenvolvimento nacional e com a integração do País no concerto das nações civilizadas. Para elas, o lema inspirador, agora, tem de ser “ao menos, haja vergonha”! O professor universitário João César das Neves assina esta coluna à segunda-feira [anterior]

Marketing

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Capítulo 1

O que é o Marketing?



« As empresas industriais não podem desenvolver produtos apenas porque se lembram disso. Têm de fazer pesquisas de mercado, têm de definir cuidadosamente o seu alvo de mercado, têm de criar no espírito dos clientes-alvo uma ideia clara da posição dos produtos da sua empresa e da capacidade de satisfazerem necessidades e desejos específicos.»

Philip Kotler


A primeira pergunta que se põe de imediato refere-se à noção de marketing, em que consiste.

O marketing consiste no conjunto de actividades que têm em vista a satisfação do consumidor em troca de um lucro. A satisfação de desejos ou necessidades dos consumidores e pessoas, grupos sociais, ou organizações) é conseguida por um processo de troca, no mercado, dos outputs (produtos finais) da empresa com essas entidades.

O objectivo do marketing é atrair novos clientes e manter os actuais através da promessa de superioridade dos seus produtos relativamente aos da concorrência. Marketing deve ser compreendido no sentido de satisfação dos desejos e necessidades de terceiros (os consumidores). Se o gestor de marketing (o profissional de marketing) conseguir compreender as necessidades do consumidor, se conseguir desenvolver produtos que forneçam um valor superior e, se conseguir atribuir preços, distribuir e promover eficazmente os produtos, esses serão vendidos com facilidade.

Marketing é um processo social e administrativo através do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo de que necessitam e que desejam através da produção e troca de produtos e valores com outros indivíduos e grupos.

Desde já, convém esclarecer melhor alguns termos.


 

1.1. Necessidade, desejo e procura

 

Um dos conceitos mais importante no marketing é o de necessidade. Necessidade é entendida como estado de privação de algo já experimentado. As pessoas têm muitas necessidades, nomeadamente: físicas (i.e. de alimento e vestuário); sociais de filiação e afeição; conhecimento.

Quando uma necessidade não é satisfeita, a pessoa tenta-a minimizar ou tenta encontrar algo que a satisfaça.

Desejos são as formas que as necessidades assumem à medida que são modeladas pela cultura e personalidade do indivíduo. Desejos são descritos em termos dos objectos que irão satisfazer as necessidades. À medida que a sociedade evolui, os seus desejos aumentam.

Os desejos das pessoas são quase ilimitados ao contrário dos recursos que são limitados. Assim, a escolha de produtos recai naqueles que forneçam maior valor e satisfação para o dinheiro dispendido.

Necessidade traz desejo e, se o poder de compra o permitir, desejo origina procura. Os consumidores vêem os produtos como uma "caixa de benefícios" e escolhem os produtos que aparentem os benefícios que lhe irão possibilitar maior satisfação.

A compreensão detalhada das necessidades, desejos e procuras do consumidor fornece informação importante para o planeamento estratégico de marketing (discutido no capítulo 6).

 


 

1.2. Produtos

 

As necessidades e desejos das pessoas são satisfeitas com produtos. Um produto é um output da empresa que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer uma necessidade ou desejo.

Qualquer coisa capaz de satisfazer uma necessidade pode ser chamada de produto. O termo produto abrange bens (produto tangível), serviços (produto intangível) e uma variedade de outros veículos que possam satisfazer as necessidades e os desejos dos consumidores.

 


 

1.3. Valor, satisfação e qualidade

 

Os consumidores usualmente encontram uma vasta linha de bens e serviços que podem satisfazer uma dada necessidade. A questão que se põe é: Como é que os consumidores fazem a sua escolha dentro de um grupo de bens e serviços ?

As suas escolhas baseiam-se em percepções do valor que os vários bens e serviços oferecem. Esse valor que o consumidor percebe é a diferença entre os valores que o cliente ganha ao possuir e utilizar um produto e os custos de obtenção do produto. Os consumidores, de uma forma geral, não julgam os valores e os custos do produto duma forma cuidada e/ou objectiva. A sua decisão baseia-se no valor percebido. A satisfação do cliente depende da performance percebida do produto em fornecer valor relativo às suas expectativas. Se a performance do produto:

     

  • fica abaixo das expectativas do cliente, ele fica insatisfeito;

     

     

  • coincide com as expectativas do cliente, ele fica satisfeito;

     

     

  • fica acima das expectativas do cliente, ele fica encantado !

     

 

Muitas empresas fazem tudo para manter os seus clientes satisfeitos dado que clientes satisfeitos com os produtos oferecidos tornam-se futuros consumidores (no caso de produtos de consumo) desse mesmo produto e irão aconselhá-lo aos amigos.

A chave está em associar as expectativas do cliente à performance da empresa. Empresas astutas procuram satisfazer o cliente prometendo apenas o que podem oferecer e não algo que não o podem senão as suas expectativas sairão goradas.

Intimamente ligada à satisfação do cliente está a qualidade. A qualidade tem impacto directo sobre a performance do produto e consequentemente na satisfação do cliente. Qualidade pode ser definida como a totalidade dos traços e características de um bem ou serviço que relacionam-se à sua habilidade de satisfazer as necessiades do cliente. Assim sendo, uma empresa alcança a denominada qualidade total quando os seus produtos vão de encontro ou superam as expectativas do cliente. A qualidade começa com as necessidades do cliente e termina com a sua satisfação.

 


 

1.4. Troca, transacções e relações

 

O marketing existe quando as pessoas decidem satisfazer as suas necessidades e desejos através da troca. Troca é o acto de obter de alguém um objecto desejado (normalmente um output duma empresa) oferecendo algo em retorno (i.e. dinheiro). O conceito chave do marketing é a troca cuja ocorrência depende de vários factores. Como é óbvio, pelo menos têm de existir duas partes, em que uma deve ter algo de valor para a outra. Cada parte deve ter o interesse de negociar e deve ser livre de aceitar ou rejeitar a oferta da outra. Um facto preponderante é a possibilidade das partes poderem comunicar. Estes são os factores que tornam possível a troca mas, a sua realização só acontece quando ambas as partes chegam a acordo.

A transacção é a unidade de medida do marketing que consiste numa troca de valores entre duas partes. Numa transacção pode-se dizer que uma parte dá "x" e recebe "y" em troca.

Além de se criarem transacções de curto-prazo (imediatas, por vezes), os gestores de marketing, tentam construir relações a médio-longo prazo com cliente de valor, distribuidores, vendedores e fornecedores. Devem construir fortes laços económicos e sociais através da promessa e fornecimento consistente de produtos de alta qualidade, bons serviços e preços justos. O marketing procura maximizar relações mutuamente benéficas com os consumidores e outras partes. A regra de ouro é: Construir boas relações que as transacções vantajosas viram a seguir.

 


 

1.5. Mercados

 

O conceito de troca leva ao conceito de mercado. Um mercado é o conjunto de consumidores reais e potenciais de um produto. Esses consumidores compartilham uma necessidade em particular ou um desejo que pode ser satisfeito através da troca. Logo, a dimensão do mercado depende do número de pessoas que têm a necessidade e recursos para se envolverem numa troca e que estão dispostas a oferecer esses recursos em troca daquilo que desejam. Os gestores de marketing (profissionais de marketing), vêem os vendedores como elementos constituintes duma indústria e os compradores de um mercado. Vendedores e compradores interagem de quatro formas. Os vendedores introduzem os produtos, serviços e comunicações no mercado. Em retorno recebem dinheiro e informação. As economias modernas operam segundo o princípio da divisão de trabalho, em que cada pessoa especializa-se em produzir algo, recebe pagamento e compra coisas que necessita com esse dinheiro. Portanto nas economias modernas são muitos os mercados existentes. Os produtores vão aos mercados de recursos (mercado de matérias-primas, mercado de recursos humanos, mercado de dinheiro), compram recursos, transformam os recursos em bens e serviços e vendem-nos aos intermediários que têm a função de os vender aos consumidores. Os consumidores vendem o seu trabalho e em troca recebem um ordenado que os possibilita de adquirirem os bens e serviços que compram.

Num sentido mais amplo o gestor de marketing tenta obter uma resposta a um produto. Esta resposta pode ser mais do que comprar ou trocar bens e serviços. Um candidato político, por exemplo, como resposta quer votos, um clube de futebol quer associados e um grupo de acção social quer aceitação de ideias. Marketing é então o conjunto de acções que visam obter uma resposta desejada de um consumidor-alvo a um produto.


 

1.6. Marketing

 

Marketing significa administração de mercados para ocasionar trocas com o propósito de satisfazer necessidades e desejos. Assim, voltamos à definição de marketing como um processo através do qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da produção e troca de produtos e valores com os outros. A realização de um processo de troca envolve trabalho. Vendedores devem procurar compradores, identificar as suas necessidades, planear bons produtos e serviços, estabelecer preços e condições de pagamento para os mesmos, promovê-los, armazená-los e fornecê-los.

As actividades de desenvolvimento de produto, pesquisa, comunicação, distribuição, atribuição de preço e serviço são actividades que estão no âmbito do marketing. Embora normalmente se pense no marketing como uma acitvidade conduzida pelos vendedores, os compradores também desenvolvem actividades de marketing. Os consumidores desenvolvem actividades de marketing quando procuram os bens que necessitam a preços acessíveis. Os responsáveis pelas compra das empresas seguem os vendedores e negoceiam para obter boas condições negociais.

Marketing envolve servir um mercado de utilizadores finais em detrimento da concorrência. A empresa e os concorrentes enviam os seus respectivos produtos e mensagens directamente aos consumidores ou através de intermediários. Todos os agentes são afectados por importantes forças (discutidas no capítulo 4) demográficas, económicas, físicas, tecnológicas, políticas e culturais.

O sucesso de uma empresa não depende apenas das suas próprias acções, também depende de como a cadeia valores na sua globalidade satisfaz as necessidades dos consumidores finais.

principal seguinte


Criado por André Rocha & Ricardo Ferreira em 10 de Janeiro de 2000

Marketing

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Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores

Economia e Gestão

Marketing

Porto, 10 de Janeiro de 2000

Docentes da disciplina:
Professor Joaquim Borges Gouveia
Engenheiro Gil Manuel Gonçalves

Trabalho realizado por:
André Cardoso Rocha
Ricardo Sérgio Caetano Ferreira
e-mail: amais@esoterica.pt


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October 24, 2006

TRABALHO AULA IMP 24/11

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Pesquisa na web sobre as seguintes questões?

1. O que são trabalhos de investigação

2. Para que servem

1ª PESQUISA

http://pt.wikipedia.org /wiki/Pesquisa_de_mercado

2ª PESQUISA (complementar)

Http://web.letras.up.pt/meirinhos/filomed/Trabalhos.htm

RESPOSTAS

1.        Depreendemos como investigação o método usado para uma tomada de decisão. Investigação reúne diferentes processos: planeamento; recolha de dados, análise dos dados e comunicação de informação. Busca de informação.

2.        tomada de decisão; melhoria de produto, detectar oportunidades de mercado, melhorar conhecimento dos nossos consumidores e da concorrência. Melhorar a penetração do produto no mercado alvo.

October 22, 2006

Aula nº2

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Sumário:

Ambito das actividadesde marketing:

  1. Bens;
  2. Serviços;
  3. Experiencia;
  4. Eventos;
  5. Pessoas;
  6. Lugares;
  7. Títulos patrimoniais;
  8. Organizaões;
  9. Ideias;
  10. Informações;

     emoticon "O marketing é mais velho que o pecado original"

Aula nº1

Filed under: FM

Sumário :

  • Programa da disciplina;

 

*Um bom gestor não é aquele que dicide.

*Nós estamos aquí para diminuir o risco na carreira profissional.

*Felizes daqueles que não têm consciêcia…do perigo.

Aula nº4

Filed under: LAE

Sumário:

  1. Conclusão e apresentação do trabalho de grupo;
  • Estilo/ Postura
  • Contúdos
  • Instrumentos de apoio/ suporte
  • Recursos técnologicos
  • Adequação ao público/ contúdo
  • Outros aspectos pertinentes

Aula nº3

Filed under: LAE

Sumário:

  1. Trabalho de grupo:conclusão;
  2. A comunicação na empresa;
  3. The office:grelha de análise+debate;

1- Trabalho de grupo= conclusão

  • Acomunicação nas empresas:análise da situação actual;
  • Comunicação interna: principios fundamentais;
  • Comunicação externa:tópicos essenciais;

2- David Brent: caracterização da apresentação;






















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